Todas as empresas islandesas que possuem mais de 25 funcionários serão obrigadas por lei a ter um certificado emitido pelo governo, apresentando suas políticas de igualdade.

Enquanto aqui no Brasil, discutimos se é abusivo ou ilegal homens e mulheres pagarem a mesma quantia para ter acesso as baladas, a Islândia, a partir de 1º de janeiro de 2018, é a primeira nação a proibir salários desiguais entre homens e mulheres. A medida já tinha sido anunciada em 2017, no Dia da Mulher. A ideia é eliminar o salário desigual até 2022. Caso haja descumprimento da lei, além de uma multa a empresa não receberá o certificado.

O Fórum Mundial Econômico elegeu a Islândia como o país com mais igualdade salarial, por 9 anos seguidos. Porém mesmo assim, as mulheres recebiam de 14 a 18% a menos.

Começo de tudo

Um dos fatores que foram essenciais para essa mudança foi a pressão das trabalhadoras islandesas. Em outubro de 2016, milhares delas protestaram saindo do trabalho mais cedo, exatamente às 14:38, o horário que se levado em conta a diferença salarial em relação à remuneração masculina, é quando elas começam a trabalhar de graça. As manifestações seguiram o parlamento islandês, com o intuito de reivindicar a igualdade dos salários. Calcula-se que 90% das islandesas aderiram ao protesto, incluindo as donas de casa, que não fizeram os afazeres domésticos naquele dia a fim de se juntar as manifestações.

Situação nacional

No Brasil, mesmo as mulheres tendo níveis de escolaridade mais altos, ainda há desigualdade salarial, segundo o IBGE. Segundo os dados coletados em 2015, o rendimento médio de homens é de R$ 2.012, enquanto a média feminina é de R$ 1.522. E isso pode piorar dependendo da região do país. O Distrito Federal tem a maior diferença, a de R$ 997 (homens recebem R$ 3.965 contra R$ 2.968 das mulheres). A média de Roraima é a mais próxima, somente R$ 38 (R$ 1.684 dos homens contra R$ 1646 das mulheres). A mesma pesquisa também mostra que quanto mais alto o nível de escolaridade, maior é a desigualdade.